quinta-feira, 19 de setembro de 2019

32º dia – Relatos atuais sobre os Anjos após a “quase” morte – Parte 4





Eu me dei conta de que não caminhava sozinha
Às 3h 30min de uma madrugada de junho de 1959, Glenn Perkins acordou de repente, depois de sonhar que sua filha, gravemente doente e hospitalizada, precisava dele. Ele se vestiu, comeu alguma coisa rapidamente, instalou-se ao volante por volta das 4h15min e dirigiu-se para o hospital. Chegou lá às cinco horas. No mesmo momento, no quarto 336 do Union Hospital de Indiana, Terre-Haute, o médico constatava a morte de Betty e a declarava oficialmente morta. A apendicite gangrenada, acrescida de uma espécie de pneumonia, tinha destruído seu estômago e os seus ovários, antes de afetar o resto do corpo. O lençol do leito foi estendido sobre seu rosto pela enfermeira, que saiu sem fazer ruído para dar a notícia aos pais. Enquanto ela telefonava e preenchia os formulários administrativos relativos ao falecimento, Glenn Perkins subiu os degraus de três em três, bruscamente invadiu o quarto e viu o lençol cobrindo o rosto de sua filha. Estupefato, ele se jogou sobre o leito e rezou, chorando, "Jesus, Jesus"...

Betty, por sua vez, se encontrava do outro lado. Essa experiência a abalou tanto que, em 1977, ela publicou seu relato nos mínimos detalhes (My flimpse of eternity, 1977, Berry Malz, Chosen Books, Nova York). O mais notável em sua história é que ela não se lembra de ter passado por um túnel:

“A transição foi serena e tranquilizadora. Eu despertei ao pé de uma belíssima colina. Apesar de escarpada, eu a escalei sem nenhum esforço e um profundo êxtase invadiu meu corpo. A minha volta toda estendia-se um maravilhoso e profundo céu azul, sem nenhuma nuvem. Olhando de novo, reparei que não havia nenhuma estrada, nem caminho. Entretanto, eu parecia saber aonde ia. Então me dei conta de que não estava caminhando sozinha. À minha esquerda, e um pouco atrás de mim, havia um grande personagem, de aspecto masculino, trajando uma túnica. Perguntei-me se seria um anjo e tentei ver se ele tinha asas. Mas de frente, eu não podia ver suas costas. Senti, no entanto, que ele podia ir por todo canto onde quisesse, e muito rapidamente. Nós não falávamos. De certo modo, isso não parecia necessário, já que seguíamos na mesma direção. Eu percebi que ele não me era estranho. Ele me conhecia e eu sentia uma estranha cumplicidade. Onde já nos teríamos encontrado? Será que nos conhecíamos desde sempre? Parecia que sim. Aonde estaríamos indo agora?

Como caminhávamos juntos, eu não via o sol, mas a luz estava por toda parte. Senti que nós podíamos ir aonde quiséssemos e instantaneamente. A comunicação entre nós era feita através de projeções de pensamentos. Justo no instante em que atingíamos o topo da colina, eu ouvi a voz do meu pai chamando "Jesus, Jesus". Sua voz parecia distante. Pensei em dar meia-volta para ir encontrá-lo. Não fiz isso porque eu sabia que meu destino estava à frente. (...) O anjo parou à minha frente e colocou a palma da sua mão sobre uma porta que eu não tinha observado antes. Eu vi o que parecia (por trás da porta) uma rua em tons dourados coberta de vidro ou de água. A luz amarela que apareceu era deslumbrante. Impossível descrevê-la. Não vi nenhuma silhueta, mesmo tendo a consciência de haver ali uma pessoa. De repente, soube que aquela luz era Jesus, que a pessoa era Jesus. Eu não precisava me mexer.
A luz estava toda à minha volta. Parecia que havia um certo calor lá dentro, como se eu estivesse exposta aos raios de sol; meu corpo começou a irradiar. Cada parte de mim estava absorvida por essa luz. Eu me sentia envolvida pelos raios dessa energia poderosa, penetrante e magnética. O anjo me olhou e me comunicou o pensamento: "Você quer entrar e reunir-se a eles?" Todo meu corpo queria entrar lá, mas eu hesitei. Eu tinha escolha? Então me lembrei da voz do meu pai. Talvez eu devesse partir e encontrá-lo. "Eu gostaria de ficar e cantar um pouco mais, e depois voltar para a colina", respondi finalmente. Mas era tarde demais. Suavemente, as portas se uniram numa folha de pérolas e nós recomeçamos a descer a mesma magnífica colina. Dessa vez, a parede estava à minha esquerda e o anjo caminhava à minha direita”.

Betty reintegrou-se ao seu corpo e ao seu leito, com textos do Evangelho dançando diante de seus olhos. Foi seu pai que, sempre ao pé do leito, detectou um movimento sob o lençol e chamou as enfermeiras. No hospital ninguém conseguiu compreender como ela pôde voltar, pois já estava morta. Emagrecida devido às semanas de tratamento médico intensivo e à ausência quase total de alimentos, Betty quis comer em seguida, para o maior espanto da equipe hospitalar, que a proibiu formalmente. Ela não se deu por vencida. Por acaso, uma bandeja de refeição, que não era para ela, aterrissou em seu quarto pouco depois de seu retorno da colina. Por acaso? Ela atacou a bandeja e a limpou rapidamente. Não houve nenhuma consequência desastrosa. Seu médico a advertiu: seus ovários, atacados pela infecção maciça, nunca poderiam cumprir suas funções. Ele chegou até a aconselhá-la a retirá-los cirurgicamente, e, antes dessa operação, usar um método contraceptivo para evitar a concepção de um bebê deformado. Alguns dias mais tarde, ela deixou o hospital em perfeita saúde, fez amor em seguida, e engravidou. Ela não teve absolutamente nenhuma sequela de sua doença, e seu bebê nasceu perfeito. Isso se chama um milagre documentado.

Voltemos à NDE. Ela despertou após sua morte e andou numa direção determinada que ela parecia conhecer. De repente, ela se virou e descobriu que não estava sozinha. Um personagem de aspecto masculino, vestido com uma túnica branca, estava atrás dela. Betty Malz escreveu em 1986, num segundo livro, que ela nunca poderia ter imaginado um ser dotado de tal beleza, de tal poder e segurança Ela utilizou em seguida o termo anjo, e quis verificar se ele tinha asas! Não, ele não tinha, mas ela teve a sensação de conhecê-lo há muito tempo. Sentiu também que ele era capaz de se deslocar numa fração de segundo para onde quisesse: "Ele me conhecia e eu sentia uma estranha cumplicidade. Onde já nos teríamos nos encontrado? Será que nos conhecíamos desde sempre? Parecia que sim.” (...)
Após uma breve observação dessa nova Jerusalém, Betty é levada suavemente para a célebre pseudo-escolha: "Você quer entrar?".

Ela tenta encontrar um meio-termo, mas não consegue. Volta ao corpo acompanhada por seu guia. Ao reencontrar seu corpo físico, Betty Maiz não imaginava que esse sonho acordado mudaria toda a sua vida.

Uma escada de anjos
O herdeiro do célebre instituto de pesquisas de opinião Gallup, Georges Gallup Jr., leu as obras de Moody e se apaixonou assunto a ponto de realizar uma pesquisa sobre as NDE (EQM) em âmbito nacional, o que, se levarmos em conta as dimensões dos Estados Unidos, foi uma façanha inédita.

Os resultados dessa pesquisa o surpreenderam e ele decidiu analisá-las em profundidade. Seu livro, Adventures in immortality (McGrow Hill, 1982, Nova York), é apaixonante pois apresenta um quadro preciso sobre o que se passa após a morte e, sobretudo, ao confrontar todos os depoimentos reunidos por seus pesquisadores, sobre o que descobriremos talvez no céu. Seus resultados confirmam, em todos os pontos, as sínteses de Moody e Ring. Entre seus relatos, encontramos o caso, realmente fora do comum, duma enfermeira da Pennsylvania, que tinha 70 anos no momento da entrevista. Ela contou aos pesquisadores da Gallup a experiência que vivera 53 anos antes, quando decidiu dar à luz em casa.

O médico da família enfrentou alguns problemas no momento do parto, e teve de usar o fórceps, o que provocou complicações internas. Uma semana após o nascimento, o médico a examinou e decidiu hospitalizá-la imediatamente. Ela ficou três dias no hospital, antes de ser tomada a decisão de operá-la. Seu marido, no entanto, não concordou com a operação, que poderia provocar danos físicos irreparáveis.

“Eu estava tão doente que não podia sequer me levantar da cama. Era uma tarde de domingo. Meu marido tomou um táxi e me transportou em seus braços, como um bebê. Curiosamente, no caminho, eu recuperei algumas forças. O fato foi que eu saí do táxi e caminhei para o nosso apartamento, que ficava no terceiro andar. Troquei os lençóis da cama e a arrumei a meu modo. Em seguida, me despi e me enfiei na cama. Eu me sentia maravilhosamente bem. Nunca sentira uma tal sensação de bem-estar antes, e nem depois disso. Minha família e meus vizinhos estavam todos ali, pois todos ficaram aturdidos ao verem a mudança milagrosa que acontecera em mim. Então, exatamente como se alguém falasse comigo, uma voz me disse que eu ia morrer e que deveria informar meu marido e minha família. Então eu os reuni todos no meu quarto.

Segurando a mão de meu marido, eu lhe disse: "Vocês todos devem se preparar para encontrar seu Deus, porque eu vou encontrar o meu.” Eu estava calma, não sentia dores nem sofria, ao passo que, ao deixar o hospital, três horas antes, a dor era intolerável. Podia-se dizer que eu estava numa espécie de transe. Nesse momento, eu tive uma visão. Parecia que todos aqueles anjos vinham do céu e, estendendo suas mãos, formavam uma escada que ia até o céu. Ao subir aquela escada eu parecia saber tudo o que estava acontecendo na minha casa. Minha família e meus vizinhos choravam e meu marido estava ajoelhado ao pé da cama suplicando a Deus que me poupasse pelo bem do bebê. Continuei a subir a escada formada pelas mãos dos anjos até atingir o paraíso. Quando cheguei ao topo, havia uma neblina diante da porta, e um anjo me disse: "Essa neblina é a prece de sua familia para que voce volte. Por que você não pede ao Senhor para deixá-la voltar para criar seu filho?" Depois de atravessar a neblina, pude distinguir aquela pessoa sentada sobre um trono, envolvida por aquela neblina. Eu disse: "Senhor, por favor, deixe-me voltar e criar meu filho." Ele não respondeu, mas tomou minha mão e me reconduziu de volta à escada, para descer. Nesse meio tempo, a família tratava meus funerais com o serviço funerário, e enviava telegramas. Quando eu voltei, gritei e cantei. Tenho certeza de que você pode imaginar que tipo de dia foi aquele. Na época, eu tinha 17 anos. Hoje tenho 70, e somente um filho.”

Esse caso é muito curioso porque uma voz previne a pessoa de que vai morrer e lhe pede para informar os membros da família a respeito. Até hoje, nunca observamos outro aviso desse tipo, mesmo admitindo que possa ter vindo de seu anjo da guarda. Ora, se o anjo não parece se manifestar visualmente a seu protegido, ele é substituído por uma legião de anjos, que surge do céu e faz uma escada com suas mãos para ajudar a pessoa a subir até o trono de Deus. Isso parece completamente maluco. O problema é que, dado o campo em que procuramos evoluir sem perder a razão, esse caso é atípico. Poderíamos considerar como uma alucinação.

A pessoa, no entanto, estava clinicamente morta, afinal seus familiares começaram a enviar telegramas. Além disso, a testemunha emprega o termo visão, exatamente como os maiores místicos, que veremos à frente. Além disso, sua visão não deixa de lembrar o capítulo 28 do Gênesis, em que Jacó, adormecido ao pé de um rochedo, sonha com uma escada com anjos que sobem e descem do céu. Ela chega, finalmente, ao topo dessa escada estranha onde um outro anjo a aguarda e meio a neblina, "a prece de sua família pelo seu retorno". A ajuda do anjo é clara: ele sugere a solução à alma que chega ao julgamento. Mesmo que tudo isso nos pareça um tanto alegórico, o relato não é mais sobrenatural do que todos os depoimentos que vimos anteriormente.


Fonte:
Livro “Relatos sobre a existência dos Anjos da Guarda” – do jornalista Pierre Jovanovic – Editora Anagrama



quarta-feira, 18 de setembro de 2019

31º dia – Relato atual sobre os Anjos após a “quase” morte – Parte 3





Um anjo do meu lado
Este depoimento absolutamente alucinante me foi relatado por Kenneth Ring, e eu nunca poderei lhe agradecer o bastante. Trata-se de Bob H., hospitalizado em 1979, para uma cirurgia na perna, que num acidente de automóvel. Relato excepcional de um sobrevivente nunca teria imaginado que poderia descobrir horizontes semelhantes. Quanto ao seu anjo da guarda, ele se encontra no centro do relato. E nos damos conta de que nem todas as NDE se parecem. Existem, às vezes, tantas diferenças entre uma NDE e outra que nos perguntamos sobre quais critérios se baseia o Grande Organizador para dar a um apenas a visão do túnel escuro e a outros um panorama completo, com visita guiada, dos mistérios do céu. Voltemos a Robert H., que sentiu que partia em plena operação cirúrgica:

“Eu estava num túnel, viajando a uma velocidade enorme em direção a uma luz, que naquele momento não tinha grande importância. No meu trabalho, eu viajava frequentemente de avião, e já tinha participado de corridas de automóveis, o que me permitia perceber que a velocidade em que viajávamos ultrapassava, de longe, tudo o que eu já conhecera; e ela aumentava sem parar. Os muros do túnel eram uma névoa, mas quando eu olhei com mais atenção, dei-me conta de que esse túnel onde eu viajava àquela velocidade inacreditável era composto por planetas; massas sólidas, mas desfocadas pela velocidade e pela distância. Havia também um som terrível. Era como se todas as maiores orquestras do mundo tocassem ao mesmo tempo. Não havia melodia, mas era muito forte, potente, e de certa forma calmante. Era um som rápido, agitado, como algo de que eu pudesse me lembrar, muito familiar, que se encontrava em alguma parte da minha memória.

De repente, senti medo. Não tinha nenhuma ideia do lugar onde me encontrava, estava sendo levado a uma velocidade inacreditável e nada na minha vida tinha me preparado para essa aventura. No momento eu que me dei conta de que sentia medo, uma presença me atingiu; não fisicamente, mas por telepatia. Era uma presença calma e doce, que disse: "Calma, calma, está tudo bem, fique tranquilo." Esse pensamento transmitido para mim teve um efeito calmante, imediato, o mais poderoso que tudo que já conheci em minha vida estressada.

Eu me dirigia para aquela luz imensa no final do túnel, mas no instante em que ia penetrar nela, tudo ficou negro. Quando eu fecho os olhos num quarto escuro, ainda tenho a sensação de ver. Também tenho a sensação do tato e a de ter um corpo. A escuridão de que estou falando era total, sem nenhuma sensação. Minha consciência EXISTIA simplesmente. Eu existia, mas sem nenhuma outra sensação. Era absolutamente aterrador. Isso durou um momento, mas era como se fosse um dia inteiro. Então minhas sensações começaram a voltar, suavemente, e eu compreendi que elas eram unicamente positivas. Não havia mais nenhuma dor na minha perna, nem nenhum inconveniente mental ou físico. Havia, no lugar, a paz, a alegria, a harmonia e a luz. E que luz!

Eu me dava cada vez mais conta de sua presença, era uma luz dourada, e prateada, e verde e repleta de amor. Quando essas sensações se estabilizaram, e isso me pareceu que levou cem anos porque nesse lugar não havia precipitação, eu notei um ser sentado ao meu lado. Ele usava um vestido branco e era a própria paz. Fora ele quem me tranquilizara durante os últimos instantes da minha viagem, soube disso instintivamente. E ele me tranquilizava ainda. Eu sabia que ele poderia ter sido todos os amigos que eu nunca tive e todos os guias e professores de que eu poderia ter necessitado um dia. Eu sabia também que ele estaria ali se eu precisasse dele. Mas como ele tinha outros para cuidar, eu deveria me cuidar o máximo possível.

Nós estávamos sentados, um ao lado do outro, sobre um rochedo, diante da mais bela paisagem que já vi. As cores eram totalmente desconhecidas para mim, com um brilho que ultrapassava todos os meus sonhos de composição excepcional. Era extraordinariamente agradável, e não havia pressão, meu amigo me conhecia e gostava de mim mais do que eu mesmo me conhecia e me amava. Nunca senti tal energia e paz. “É realmente incrível, não é?", exclamou meu amigo, falando sobre a vista. Eu estava sentado confortavelmente com ele e admirava num silêncio indescritível. Ele disse: “Nós pensávamos ter perdido você por um momento” (...).

Enquanto eu continuava a me maravilhar com tudo aquilo que contemplava, meu amigo me sugeriu que já estava na hora de ir embora. Como eu começava a me agitar também, concordei. Imediatamente, nós mudamos de lugar. Nós escutávamos agora um coro de anjos cantando. Eles cantavam a mais adorável e mais extraordinária música que já ouvi. Eram todos idênticos, todos eles muito bonitos. Quando seu canto acabou, uma integrante do coro veio até mim para me receber. Ela era magnífica, e eu me senti extremamente atraido por ela e me dei conta então de que minha admiração só podia ser expressa de maneira totalmente não física, como um garotinho. Fiquei embaraçado com meu erro, mas não era nada grave. Tudo era perdoado naquele lugar maravilhoso.

O sentimento de que eu tinha de partir se transformou primeiro em certeza, depois em terror. Minha apreensão foi confirmada quando meu guia me disse claramente que já estava na hora de eu ir embora, mas que eu deveria me lembrar de que aquele lugar era sempre minha casa, e de que eu voltaria para ali um dia no futuro. Eu lhe disse que era impossível, para mim, voltar para aquela vida lá embaixo, depois daquela experiência, mas ele me respondeu que eu não tinha escolha, pois ainda tinha muito trabalho a fazer. Protestei, sob o pretexto de que a circunstâncias da minha vida tinham se tornado tais que eu não poderia mais continuar. E fiquei consternado com o pensamento de toda a dor mental e física que me aguardavam. Ele me pediu para ser mais preciso, e eu me lembrei de um período da minha vida em que eu enfrentei grandes dificuldades. Instantaneamente, voltei a sentir todas as emoções daquela época. Era quase insuportável. Então, com um simples gesto apenas, a dor desapareceu, para ser substituída por um sentimento glorioso de amor e de bem-estar. Esse processo foi repetido várias vezes, segundo diferentes etapas da minha vida em que eu tive dificuldades. Meu amigo então me mostrou que eu poderia conseguir fazer essas façanhas incríveis sozinho.

Ele me fez compreender que não havia nenhuma discussão possível sobre meu retorno. Regras eram regras, e eu deveria me conformar com elas. Não haveria nenhuma exceção para mim, e a auto piedade não era uma forma de expressão aceitável. Num instante, tudo desapareceu e eu vi sala de reanimação, perguntando-me do que eu deveria me lembrar. A experiência durou cinco minutos ou cinco horas.”

Trata-se, incontestavelmente, de um de nossos mais belos depoimentos sobre o anjo da guarda numa NDE (EQM). Um relato de precisão cirúrgica, que nos permite verificar um certo número de fatos. O indivíduo viaja no túnel como se estivesse fora do tempo e, no momento em que fica com medo, descobre ao seu lado uma presença que lhe fala, e cujas palavras (ou, mais exatamente, pensamentos) lhe dão um sentimento absoluto de paz e principalmente de segurança: "Esse pensamento transmitido para mim teve um efeito calmante, imediato, de longe o mais poderoso de tudo que já conheci em minha vida estressada." Esse sentimento de segurança representa um dos fatores comuns das NDE angélicas. Primeiro ato. Segundo ato: o indivíduo flutua na escuridão completa, na qual ele só tem certeza de sua existência pelo pensamento (o que nos devolve diretamente para os braços de Descartes e de seu célebre "penso, logo existo"). A escuridão se dissipa, e o indivíduo está sentado sobre um rochedo com a presença do túnel ao seu lado, envolvido numa roupa branca, transmitindo uma serenidade contagiosa.

Incrível é a certeza que nasce nele de que seu anjo da guarda poderia ter sido o amigo que nunca teve, mestre, professor... A verdadeira definição do que é um anjo da guarda.
Entretanto, o indivíduo nunca utilizou a palavra anjo, mas ser. Essa descrição, muito forte, nos faz mergulhar direto no mistério da função do anjo. É uma pura maravilha e entre os muitos livros que li sobre o tema, nenhum deles dava uma explicação tão simples, breve e fulgurante. Depois, o ser lhe diz uma frase misteriosa: "Nós pensávamos perdido por um momento." Nós, quem? Lembremos que nesse depoimento, a palavra Deus ainda não foi pronunciada. Mas após o rochedo e a cidade, o indivíduo é transportado instantaneamente pelo ser para a presença de um coro de anjos. Ali ele utiliza o termo anjo. Ele os observa atentamente: todos eles são belos, e no final, um anjo "do sexo feminino", de verdade, vem recebê-lo. Ela é tão bonita e atraente que nosso indivíduo quer, como se diz, colocar as asinhas de fora e descobre, com certo embaraço, que sua admiração só pode ser expressa de maneira não física ". É preciso ressaltar que foi esse coro de anjos, lembrando o quadro de Fra Angelico, A dança dos eleitos, que deu ao relato uma atmosfera divina.



Fonte:
Livro “Relatos sobre a existência dos Anjos da Guarda” – do jornalista Pierre Jovanovic – Editora Anagrama



terça-feira, 17 de setembro de 2019

30º dia – Relatos atuais sobre os Anjos após a “quase” morte – Parte 2





Uma bela senhora
Assinalado pelo doutor Raymond Moody no seu livro La lumière de l'au-dela (1988), caso de uma garotinha de 5 anos cujo coração parou no meio de uma operação de apendicite. Assim que o som do eletrocardiograma assinalou a parada do pulso, os médicos começaram o procedimento de reanimação. Relato de Nina:

“Eu os ouvi dizer que meu coração tinha parado, mas eu estava no teto, olhando tudo. Lá de cima, podia ver tudo o que acontecia. Eu flutuava pertinho do teto; foi por isso que, ao ver meu corpo, não me dei conta de que era o meu. Saí para o corredor e vi minha mãe chorando. Perguntei a ela porque chorava, mas ela não podia me ouvir. Os médicos pensavam que eu estava morta. Então, uma bela senhora chegou para me ajudar, porque sabia que eu estava com medo. Ela me levou para um túnel e chegamos ao céu. Havia flores maravilhosas. Eu estava com Deus e com Jesus. Eles disseram que eu deveria voltar para encontrar mamãe, porque ela estava abalada. Eles disseram que eu tinha de acabar minha vida. Então eu voltei e despertei. Quando nós vimos a luz, eu fiquei muito contente. Durante muito tempo, eu quis voltar para lá. Eu quero voltar para essa luz quando eu morrer.”

Esse é um caso de EQM infantil. Esse relato faria empalidecer de inveja qualquer doutor em teologia. A garotinha de 5 anos encontra o Pai Eterno e Jesus, o que é bastante surpreendente, porque mesmo para um adulto, a distinção entre os dois não é fácil. A maioria das pessoas acredita que o Pai e o Filho são a mesma coisa, sem contar o Espírito Santo, que completa a confusão, e sua compreensão dessas pessoas está longe da dos teólogos, que os diferenciam explicando que se trata de três pessoas numa só. Mas criança não sabe sequer do que ela está falando, a não ser que para ela, o Pai e o Filho eram tão reais quanto seus brinquedos. Como o doutor Moody interpretou, "a criança ainda não foi corrompida pelo mundo que a cerca e não tem nenhuma ideia do que é uma NDE (EQM). Por serem culturalmente menos condicionadas do que os adultos, os depoimentos das crianças reforçam a validade da descrição da NDE de base.”.

Anjo Airlines
Relato de um paciente do cardiologista Maurice Rawlings s. O homem observa que seu marca-passo não funciona bem. Pode-se imaginar que esse é o tipo de aparelho eletrônico que não se pode deixar quebrar e esperar o serviço de manutenção. Ele decide então voltar ao hospital o mais rápido possível, para uma troca padrão, uma operação extremamente complexa, que requer uma hospitalização por vários dias. No momento dos fatos, o paciente se encontra em seu quarto, conversando com sua mulher e seu cunhado. De repente, ele sente que seu coração começa a acelerar demais. Ele mal tem tempo de pedir à sua mulher que chame uma enfermeira, antes de perder os sentidos:

“Eu me lembro de ter ouvido alguém gritar "código 99, código 99". Mas eu não estava mais no quarto depois disso. Parecia que uma enfermeira tinha me agarrado por trás, envolvendo minha cintura com seus braços e tinha me arrancado dali. Nós começamos a voar da cidade, e íamos rápido, cada vez mais rápido. Eu me dei conta de que não era uma enfermeira quando olhei meus pés e descobri a ponta de uma asa se mexendo atrás de mim. Tinha certeza de que era um anjo. Após um voo pelos ares, ela (o anjo) me colocou na rua de uma cidade fabulosa composta por edifícios construídos com ouro e prata cintilantes, e com árvores magníficas. Uma luz maravilhosa banhava tudo, radiante, mas não o suficiente para ofuscar. Nessa rua, eu encontrei minha mãe, meu pai e meu irmão, todos já falecidos. "Paul está chegando!" Era a voz de minha mãe. Como eu andei em direção a eles para beijá-los, o mesmo anjo me pegou pela cintura e me levou para o céu. Não sei por que ele não queria me deixar ficar ali. Com a distância, nos aproximávamos da linha do horizonte e eu podia reconhecer os prédios. Eu via o hospital para onde tinha sido enviado. O anjo desceu e me recolocou no mesmo quarto, e eu observei de cima os médicos trabalhando sobre meu corpo. Não penso que alguém possa continuar sendo ateu depois de ter vivido uma experiência como a minha.”

Desta vez, estamos no cerne da questão. O paciente é ateu. Ele morre. Segundo um padre católico, enquanto ateu, ele deveria, logicamente, aterrissar nas pistas do inferno, com o próprio Satã na torre de controle. O que há maravilhoso com as NDE (Do inglês “Near Death Experience, que significa Experiência de Quase Morte – EQM) é que todas as ameaças desse gênero, proferidas por padres sem cérebro, se desfazem como fumaça. O doutor Raymond Moody encontrou um pregador que, antes de sua NDE (EQM), só falava sobre o inferno, o fogo, o enxofre, as almas agonizantes, etc. Aterrorizando seus fiéis, dizendo-lhes que se eles não parassem de pecar, cozinhariam eternamente no inferno. Esquema clássico. Quem nunca ouviu pelo menos uma vez esse tipo de sermão? Em suma, teve um acidente, NDE (EQM), etc. O padre encontra o ser de Luz que lhe mostra como ele envenena, literalmente, a vida cotidiana dos seus fiéis. O religioso, profundamente marcado pela experiência, fala agora sobre o amor, e somente sobre o amor.

Voltemos ao caso: O paciente sente ser levantado por uma enfermeira. Mas ele descobre depois que não é uma enfermeira, e sim um anjo vestido de branco, e com asas! E que não foi seu corpo físico que ela levantou, e sim seu corpo etéreo. Em suma, após um vôo pelos ares, ela o coloca numa cidade que começamos a conhecer bem agora, em função do número de NDE (EQM) registradas no mundo inteiro, que dão todas os mesmos detalhes a seu respeito. Ele encontra seus pais falecidos e no momento em que vai beijá-los, o anjo surge dos ares, desce sobre ele como uma águia e o leva de volta ao hospital. Sua parada cardíaca durou no máximo 15 segundos.

Um anjo brilhante
Este caso provém das pesquisas do doutor Maurice Rawlings (Beyond in th Death Door, p.69), o cardiologista do Tennessee. O paciente sabia que ia morrer, pois ao chegar ao hospital, sentiu uma dor de cabeça violenta e de repente tudo clareou à sua volta:

“...então eu me senti livre e em paz, impressão de me sentir perfeitamente bem. Olhei para baixo e vi a equipe médica trabalhando sobre mim. Isso não me inquietou nem um pouco. Eu me perguntava por quê. Depois fui envolvido por uma nuvem escura e passei por um túnel. Emergi do outro lado do túnel, numa luz branca que tinha uma claridade suave. Era meu irmão, morto três anos antes. Tentei transpor uma passagem, mas meu irmão me impedia a visão, não me deixando ver o que havia atrás dele. Depois eu vi o que havia detrás. Era um anjo brilhante. Um anjo de luz. Eu me senti envolvido pela força de amor que emanava daquele anjo, que buscava e pesava os meus pensamentos mais íntimos. Eu fui examinado no mais profundo do meu ser e depois parecia ter recebido a autorização de ver outros espíritos, os de pessoas que me eram caras, já falecidas. Depois meu corpo saltou no ar com o choque elétrico que acabavam de me dar. Soube que estava de volta à Terra. Desde que me recuperei desse encontro com a morte, não tenho mais nenhum medo dela. Sei com o que ela se parece”.

Essa NDE (EQM) é curiosa porque não se parece com nenhuma outra. Após o túnel, indivíduo encontra seu irmão, que tenta esconder a presença que se encontra atrás dele. O indivíduo quer ver e fica desconcertado ao perceber um anjo, de verdade, que brilha, irradia luz, em suma, que cintila como uma árvore de Natal. Ao observá-lo, ele se sente envolvido pela força do amor que emanava desse anjo" que busca e pesa seus pensamentos, até os mais íntimos: "Fui examinado no mais profundo do meu ser". Surpreendente. É francamente curioso até que ponto essa do arcanjo inteiramente fora do contexto, coincide com a da representação do arcanjo Miguel pesando as almas naquele quadro de Hans Memling, O julgamento final. Muito curioso. Outra característica insólita, é um anjo, e não um ser de luz inclassificável, um verdadeiro. Aqui, o anjo, mede, pesa, literalmente a alma, como no quadro de Memling.




Fonte:
Livro “Relatos sobre a existência dos Anjos da Guarda” – do jornalista Pierre Jovanovic – Editora Anagrama



segunda-feira, 16 de setembro de 2019

29º dia – Relatos atuais sobre os Anjos após a “quase” morte – Parte 1





Do site Aleteia:
“As unidades de cuidados paliativos e UTI dos hospitais têm uma íntima relação com a morte, proporcionando numerosas experiências que fogem de qualquer explicação racional: pacientes que intuem o momento exato em que vão morrer, outros que parecem decidir por si mesmos o dia e a hora, adiantando ou atrasando sua morte, sonhos premonitórios de familiares ou pressentimentos de terceiras pessoas que, sem nem sequer saber que alguém está internado ou sofreu um acidente, têm a certeza interior de que faleceram.

Somente os profissionais de saúde que trabalham perto dos pacientes terminais conhecem em primeira pessoa o alcance e variedade destas estranhas experiências. A ciência ainda não foi capaz de oferecer uma resposta a estes fenômenos, razão pela qual costumam ser descritos como paranormais ou sobrenaturais – uma etiqueta “vaga demais para a magnitude destas experiências”, segundo explica a enfermeira britânica Penny Sartori, que dedicou 20 anos da sua vida a trabalhar na UTI.

Sua trajetória é suficientemente sólida para garantir que ela já viu de tudo, tornando-se capaz de intuir padrões e elaborar hipóteses sobre estes fenômenos. Tanto é assim, que dedicou sua tese de doutorado a este tema, e cujas principais conclusões compartilha no livro “The Wisdom Of Near-Death Experiences” (Watkins Publishing) “Sabedoria das Experiências de Quase-Morte” (EQM).

“Alucinações” compartilhadas por familiares
Ao longo de sua vida profissional, Penny teve contato com pacientes que viveram experiências de quase-morte (EQM), bem como com familiares que viveram de perto experiências de morte compartilhada. A quantidade e repetição de padrões levam a enfermeira a descartar a hipótese do acaso e a da impossibilidade de encontrar um raciocínio lógico para este estendido fenômeno.

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Segue abaixo o relato de Nancy Meiere sua Experiência de Quase Morte (EQM), que aconteceu no jardim de sua casa em Saint-Louis, num dia de 1975, quando tentava cortar uma galho mais alto de uma árvore. De repente, ela perdeu o equilíbrio. Hoje, Nancy explica muito simplesmente que foi o momento mais importante de sua vida. A californiana pertence a essa minoria de sobreviventes que encontrou, no final do túnel, seres espirituais perfeitamente distintos da luz central. Eis o relato de sua experiência:

“Eu estava no último degrau da escada e queria cortar um galho quando de repente perdi o equilíbrio e caí. Durante minha queda, eu pensei: ‘Não será muito grave’. Mal bati violentamente no chão e a escada caiu em cima de mim, precisamente sobre o estômago. Minha vida inteira desfilou como num filme. Foi tudo. Eu me levantei um pouco tonta, e disse a mim mesma que, mesmo assim, deveria dar um pulo no hospital para ver se não tinha quebrado nada. No centro hospitalar de Saint John, me fizeram radiografias sem encontrar nada, mas como eu não me sentia muito bem, o médico me manteve sob observação.

Quanto mais o tempo passava, mais eu me sentia mal, sem conseguir definir exatamente o que eu tinha. Ao final de dois dias, meu estado se agravara. O médico voltou a fazer radiografias e acabou descobrindo que meu fígado havia rompido e que a gangrena tinha destruído não só meu fígado como também meus intestinos. Foi uma correria. Transportaram-me com urgência para a sala de cirurgia, onde meu estômago foi imediatamente aberto para uma grande limpeza. Os cirurgiões não sabiam se eu sobreviveria.
Durante três dias, não parei de fazer idas e vindas pelo túnel, ao fim do qual eu via aquela luz. Na primeira vez, isso me pareceu realmente estranho, porque eu me vi repentinamente do teto. Eu via meu corpo deitado na cama do meu quarto, e minha mãe sentada ao meu lado. Eu pensei: ‘É estranho porque eu estou na cama e ao mesmo tempo aqui’.

Em seguida, eu me virei e atravessei esse túnel numa velocidade incrível, com um som muito agudo. Quando cheguei ao final encontrei três seres de luz. Eu não entendia nada, mas tentava, como dizer, estabilizar-me na frente deles.

Quando consegui me estabilizar, eu pensei: "ok, estou morta, onde estão os anjos?" Eles me responderam em pensamento: "Para você nós não precisamos nos parecer com anjos porque você não acredita neles." Eu ri, porque ao mesmo tempo sabia, no mais fundo do meu ser, que eram anjos, verdadeiros. Era como um pensamento, uma certeza que eles tinham me transmitido. Ao olhá-los, eu tinha a impressão de que eles formavam o comitê de recepção. Eles se pareciam com chamas de vela. Mas eu também sentia que cada um deles tinha sua própria personalidade, que eles eram perfeitamente distintos um do outro. Eu não via rostos, mas sentia sua personalidade, a essência de seus seres. Não falávamos, tudo acontecia por telepatia. E eu sabia que eram anjos ou, mais precisamente, seres de luz com uma consciência própria, como a nossa.
Em seguida, eu me vi realmente dentro da luz branca, aquela de que todo mundo fala, aquela que nos envolve num amor infinito em que cada átomo de sua alma vibra com um amor passional. Fundir-se nessa luz é como voltar para casa, voltar para o amor incondicional. É essa minha experiencia de Deus. Minha vida começou a desfilar em três dimensões. Foi tão real quanto falar com você esse momento. Sentir o efeito de seus atos sobre os outros faz você compreender o que você é realmente. Depois eu ouvi a pergunta:
Nancy, o que você quer? Ficar aqui ou voltar?" Eu tinha duas filhas e um filho de pouca idade, mas não queria voltar. Eu queria ficar. Você pode imaginar algo parecido? Abandonar meus filhos? Mas era tão maravilhoso. As palavras não podem traduzir o que eu sentia. Eu perguntei então: "Se eu voltar, isso fará diferença para a minha família?", e Ele me disse "Sim, para o seu filho". Então eu voltei por ele.”

Como todos os sobreviventes, a experiência de Nancy Meier a transformou. E se a existência dos anjos nunca a tinha incomodado antes de sua EQM, dali por diante tornou-se uma certeza. Notemos, caso, que os três anjos constituem de fato o comitê de recepção no final do túnel.

Eles têm senso de humor: "Nós não somos anjos porque você não acredita neles", e ao mesmo tempo eles lhe transmitem a certeza absoluta de que eles são, precisamente, anjos. Notemos também que eles se parecem com chamas.

Fonte:
http://www.aleteia.org/pt/saude/artigo/o-que-as-pessoas-sentem-ao-morrer-5874368743735296
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Livro “Relatos sobre a existência dos Anjos da Guarda” – do jornalista Pierre Jovanovic – Editora Anagrama



sábado, 14 de setembro de 2019

28º dia – Relatos atuais sobre os Anjos no momento da morte





1. Anjos nas escadas
Paciente com tuberculose e em seus últimos momentos. Depoimento de uma enfermeira do hospital, obtido por Osis e Haraldsson durante sua investigação (Ce qu’ils ont vu au seuil de la mort, Ed du Rocher, Paris, 1982):

“Ele (o paciente) não estava sob efeito de nenhum calmante, estava totalmente lúcido e não tinha febre. Demonstrava um grande fervor religioso e acreditava na sobrevivência da alma. Nós sabíamos que ele iria morrer e ele, sem dúvida, também sabia, porque nos pedia para rezar por ele. No quarto onde repousava havia uma escada que levava até o andar de cima.
De repente ele gritou:
- Olhem, os anjos estão descendo a escada.
O copo quebrou.”

Todas as pessoas presentes se viraram para a escada. Alguém tinha, de fato, colocado sobre um dos degraus um copo que nós vimos se quebrar em mil pedaços, sem nenhum motivo aparente. Ele não caiu; simplesmente se quebrou. Naturalmente, nós não percebemos a presença dos anjos. Uma expressão de felicidade e de quietude se estampou no semblante do paciente, que deu então seu último suspiro. Mesmo após sua morte, a expressão de quietude e de serenidade permaneceu em seu rosto.

É realmente interessante notar que essa visão é corroborada por um fenômeno material, um copo colocado na escada, por onde desceram os anjos segundo o e que implodiu sem nenhum motivo aparente.
O copo não caiu.


2. Um concerto de anjos

No dossiê “Life, Vida após a morte?” (Março, 1992, p.68), o jornalista relata a morte de uma garotinha nos braços de seus pais, tal como foi observada pela doutora Komp:

“No início de sua carreira médica, a doutora Diane Komp estava sentada com os pais ao lado de sua filha de 7 anos, que estava no último estágio de uma leucemia. "Ela teve a energia final” – conta Diane Komp – “para se levantar, sentar-se e dizer:
- Os anjos são magníficos! Mamãe, você consegue vê-los? Você ouve os cantos deles? Nunca ouvi cantos tão bonitos!
E depois a vida a deixou.
Presente é a palavra que melhor descreve o que eu senti. Não era só um presente de paz dado à criança, no momento da sua morte, era também um presente para seus pais.”

A criança, no fim de suas forças, deixa essa terra escutando cantos de anjos que vieram buscá-la. No momento em que ela ouve a melodia celeste, a vida a deixa. Será um acaso? Além disso, pode-se duvidar dos pais, crucificados pela perda de sua filha de 7 anos, ao contar tais idiotices? Não se mente quando se trata da morte e quando as emoções mais violentas o afligem.

3. Alguém comigo
Caso das enfermeiras Maggie Callanan e Patrícia Helley, que trataram de uma mulher de 25 anos, hospitalizada devido a um melanoma que se desenvolvera a ponto de não lhe deixar nenhuma chance de sobrevivência. Ângela sabia que estava condenada e não queria que sentissem pena dela. Ela chegara a prevenir o pessoal do hospital dizendo: “Não quero nenhuma ajuda espiritual, nenhuma prece, nenhum padre. Não faz meu gênero. Sou atéia. Não creio em Deus, nem no paraíso.” A equipe de enfermeiras respeitou o seu desejo. No entanto, numa manhã sombria de fevereiro, quando a campainha de chamada soou na sala de plantão, a enfermeira correu para o quarto de Ângela. Sua mãe, que dormia numa cama ao lado, estava colocando as cobertas, com os olhos ainda sonolentos:

“- Bom dia, Ângela, o que posso fazer por você?
- Alguém veio ao meu quarto?
- Creio que não, eu não vi ninguém. O dia ainda nem clareou. Por quê?
- Eu vi um anjo.
- Conte-me o que aconteceu.
- Quando eu acordei, havia um anjo sentado na luz que vinha da janela – disse Ângela com um sorriso nos lábios.
Ela descreveu a atração que sentiu por esse ser que era o próprio calor, amor e bondade. Sua mãe pulou da cama.
- Angela, é um sinal de Deus – disse ela.
- Mamãe, eu não acredito em Deus! – Respondeu Angela exasperada.
- Não faz mal – respondeu sua mãe – Você viu Deus ou um de seus mensageiros.
- Tem alguma importância saber quem é? – espantou-se bruscamente Ângela – Não é suficiente saber que há alguém tão atencioso e tão amoroso que me espera?
- Ângela, o que você acha, o que isso significa? – eu lhe perguntei.
- Eu não creio nos anjos nem em Deus, mas alguém esteve aqui comigo. Quem quer que seja, ele me ama e me espera. Portanto, isso significa que eu não morrerei sozinha.”

Nem mesmo os ateus são poupados pelos anjos. Nesse caso, a pessoa experimentou essa presença, que ela qualificou como anjo. Nenhuma outra palavra poderia definir melhor o que ela sentira. Ela adquiriu assim a certeza de que não morreria "sozinha".


4. Um anjo que pega na mão

Uma garotinha de 10 anos se recuperava de uma pneumonia num hospital da Pennsylvania. Sua temperatura tinha voltado ao normal, e a crise de falta de ar parecia ter se acalmado. Ela parecia melhor. Depoimento de uma enfermeira, obtido por Osis e Haraldsson:

A mãe viu que sua criança estava agonizando e nos chamou (as enfermeiras). Ela nos contou que sua filha acabara de lhe contar que um anjo a tomara pela mão. Ela morreu imediatamente, o que nos surpreendeu bastante, porque não havia nenhum sinal de morte iminente. Ela estava tão calma, tão serena, e no entanto tão perto da morte! Essa morte súbita nos marcou.

A paciente parecia realmente se restabelecer quando teve uma recaída definitiva. No momento em que a garotinha disse à mãe que um anjo a tinha tomado pela mão, a vida a deixou.
Coincidência?

Fonte:
Livro “Relatos sobre a existência dos Anjos da Guarda” – do jornalista Pierre Jovanovic – Editora Anagrama



sexta-feira, 13 de setembro de 2019

27º dia – Relatos atuais sobre os Anjos evitando mortes





Essas vozes dos anjos se faz ouvir com muito mais frequência do que pensamos, e não especialmente por uma causa tão nobre e guerreira quanto a de Joana D’arc. Veremos nos relatos a seguir que sua manifestação repentina destina-se, antes de tudo, a salvar pessoas que avançam direto para a morte.

Uma bomba vai explodir
Nós estávamos em 16 de maio de 1986 numa escola primária, no meio dos Estados Unidos, em Cokeville, no Wyoming. Nesse país, onde armas de todo tipo são vendidas livremente, um louco furioso chamado David Yung, acompanhado pelos membros de sua família (tão malucos quanto ele), apareceram numa escola e tomaram as 156 crianças como reféns. O maluco explicou aos policiais que iria executar os garotos com tiros de fuzil, mas mudou de repente de opinião, como costumam fazer os loucos. Tirou uma bomba, armou-a e poucos instantes depois, para o pavor de todos os policiais e testemunhas que estavam do lado de fora, a escola implodiu, como num filme.

Os bombeiros se precipitaram para os escombros, persuadidos de que recolheriam os restos dos pequenos corpos. Mas não houve nenhum morto, nem ferido entre os escolares! As crianças explicaram que "vozes" ou "seres de luz" lhes disseram como escapar da explosão. E o desarmador de minas Richard Haskell declarou à imprensa que nem mesmo a palavra milagre era suficiente para explicar o fato de nenhuma criança ter morrido. O caso foi abordado por Judene Wixon seu livro “Trial by Terror” (Horizon Publishers, Bountiful, Utah, 1987).


Depoimento de uma garotinha:
“Os seres de luz flutuavam acima de nós. Havia uma mãe e um pai, uma garotinha de cabelos compridos e uma senhora que carregava um bebê. A mulher nos disse que uma bomba iria explodir e ela nos pediu para obedecer ao nosso irmão. Eles estavam vestidos branco, e brilhavam como lâmpadas elétricas, mas principalmente em volta do rosto. Essa mulher parecia muito gentil, eu sentia que ela me amava.”

Mas nem todas as crianças viram essa família que "brilhava como uma lâmpada”. Algumas só ouviram vozes. Declaração de um menino: “Eu não vi nada, só ouvi uma voz que me disse para encontrar minha irmãzinha e ficarmos embaixo da janela.”

A luz retangular
Sheila tinha 12 anos quando tudo aconteceu, e vivia perto de Cedar River, no estado de Washington. Quando brincava com outras crianças da sua idade, ela não teve paciência para esperar sua vez de mergulhar no rio e decidiu pular de outro lugar na água, exatamente num ponto onde a profundidade era de seis metros. Nesse local, as águas pareciam tranquilas, mas, sob a superfície, eram agitadas por turbilhões terríveis (caso recolhido pelo doutor Morse após uma conferência: Sheila veio lhe relatar sua estranha história):

“Eu fui imediatamente aspirada para o fundo, para em seguida subir à tona. Percebi então pessoas assustadas, que tentavam me estender um galho a partir da margem para que eu me segurasse nele, mas o turbilhão me levou inexoravelmente para o fundo. Ao emergir pela terceira vez cada vez mais esgotada por meus esforços, senti que estava sendo de novo atraída pelo turbilhão. A sequência anterior, no entanto, não se repetiu até o fim. Dessa vez, eu fui quase imobilizada acima do leito do rio e percebi a poucos metros de mim uma luz retangular que era ao mesmo tempo muito brilhante e extremamente delicada. Durante alguns instantes, esqueci totalmente o resto do mundo, e senti apenas uma tranquila euforia. Lembro-me de ter tentado atingir essa luz, mas fui transportada para a margem do rio antes de conseguir tocá-la. Sei que não escapei do turbilhão nadando: foi essa luz que me pegou e me conduziu até a margem.”

O doutor Morse mostrou-se mais do que cético. Mas decidiu, mesmo assim, verificar. Questionou os protagonistas e sobretudo leu os relatórios, fornecidos pelas diversas testemunhas poucas horas após o acontecimento. Como ele mesmo observou, "foi difícil conter minha incredulidade. Essa é uma reação frequente, constatada em muitos participantes desses acontecimentos. De fato, o que não compreendemos começa sempre despertando nossa desconfiança. Mas essas experiências luminosas nem por isso deixaram de acontecer." (Do livro ‘Closer to the light’ p.184).

Uma presença maravilhosa
Caso mencionado pelo doutor Raymond Moody, vivido por um soldado durante a Segunda Guerra Mundial:

“Aconteceu-me uma coisa da qual eu nunca me esquecerei... Eu vi um avião inimigo sobrevoar o prédio onde nos encontrávamos e abrir fogo sobre nós... A poeira levantada pelas balas formava um caminho que vinha direto para nós; senti muito medo, crente de que seríamos todos mortos. Eu não vi nada, mas senti uma presença maravilhosa, reconfortante, ali, pertinho de mim, e uma voz suave, afetuosa, me disse: ‘Estou com você. Sua hora ainda não chegou’. Senti um bem-estar tão grande, uma paz naquela presença... Desde aquele dia, nunca mais tive medo da morte”
Do livro Lumières nouvelles sur la vie après l avie, p. 63.

Mude de faixa
Vejamos o caso, quase banal, de Elisabeth Klein, que aconteceu no final de 1991, em Los Angeles:

“Há cerca de um mês, eu estava no meu carro, dirigindo pela highway 101, na faixa do meio. Eu estava quase chegando à descida para a saída de Malibu Canyon quando ouvi, muito distintamente, uma voz ressoar na minha cabeça, dizendo-me "vá para a faixa da esquerda". Eu não sei porque, mas obedeci instintivamente. Poucos segundos depois, o fluxo de veículos diminuiu bruscamente de velocidade por causa de um acidente, e o caminhão que se encontrava antes atrás de mim (nós descíamos uma encosta) freou brutalmente. Empurrado por seu peso, ele bateu no primeiro carro à sua frente, e ouve um verdadeiro engavetamento na faixa em que eu estava poucos minutos antes. Sem essa voz, não sei se estaria ainda aqui. Deve ter sido meu guia ou meu anjo da guarda, não sei.”

Como veremos, o desvio de trajeto representa um dos casos mais frequentes. Em geral, as pessoas não costumam falar sobre isso abertamente. No momento, elas obedecem à voz e depois, ao descobrir que acabam de escapar da morte, ficam como que marcadas a ferro quente. Elas não compreendem o que aconteceu, sabem que uma voz as salvou, mas quanto mais passa o tempo mais elas minimizam essa intervenção ao ponto de negá-la alguns meses mais tarde. Passam a considerá-la uma alucinação ou um sonho. Com o tempo, isso lhes parece tão louco que passam a negá-lo e a classificá-lo como algo que não aconteceu, aquele jardim secreto onde se coloca tudo aquilo de que não queremos nos lembrar. Podemos afirmar assim que, quanto menos visível for a intervenção, menos se acreditará numa intervenção sobrenatural. Esses casos são extremamente frequentes, e no caso acima, a pessoa obedeceu instintivamente, escapando do estrondo das latarias se chocando.

Fonte:
Livro “Relatos sobre a existência dos Anjos da Guarda” – do jornalista Pierre Jovanovic – Editora Anagrama



quinta-feira, 12 de setembro de 2019

26º dia – Santa Joana D’arc e São Miguel Arcanjo – A ação de Deus na política de nações





As vozes estranhas vindas de outro lugar não faltam, e a mais célebre delas foi a que encarregou Joana d'Arc de uma missão absolutamente inconcebível na época, para um humano. Porém, a força dessa voz é tal que a pessoa que a ouve, primeiramente desconfiada, sente-se em seguida obrigada a obedecê-la, independente do que possa acontecer ou do que possam lhe dizer. Para nos darmos conta do que aconteceu a Joana d'Arc, transponhamos por um instante os acontecimentos de sua vida para os nossos dias. E já que não existem mais pastoras, imaginemos em seu lugar uma jovem, negra, virgem, com 16 anos de idade, caixa de supermercado, católica praticante, chamada Joan Arrow.

Joan ouve uma voz interior dizendo-lhe que ela deve ir à Casa Branca para se encontrar com o presidente. Lá, ela deverá lhe pedir forças policiais para ajudá-la a combater os traficantes de droga. Por uma série de coincidências inacreditáveis, Joan vai até Washington mesmo sem ter um centavo no bolso, encontra o presidente enquanto ele está fazendo seu jogging, e fala com ele. Ela acaba convencendo-o, e também seus conselheiros, a entregar-lhe duas ou três unidades especiais antigangue para limpar o país, livrando-o dos negociantes. À frente dessas unidades, ela mesma, que nunca pôs os pés numa delegacia ou academia de polícia.

Sempre orientada por suas vozes, Joan limpa, em alguns meses, Atlanta, Nova York, Detroit e Miami, livrando-as de todos os vendedores de droga. Os traficantes, apavorados com seu poder, subornam por vários milhões de dólares, os funcionários da cidade de Los Angeles, onde ela acaba, precisamente, de iniciar sua limpeza maciça.

Presa pela polícia de Los Angeles (LAPD) por excesso de velocidade, ela é espancada por uma dezena de policiais, violentada e torturada, antes de ser entregue aos psiquiatras, que decidem interná-la porque ela diz ouvir a voz do arcanjo Miguel. No manicômio, durante um passeio, os verdadeiros doentes mentais a amarram e a queimam para ver o que acontece. Fim.

***

Isso parece totalmente estúpido como roteiro, mas foi exatamente o que aconteceu a Joana d'Arc, chamada donzela de Orleans, filha de agricultores, há cinco séculos, e que representa hoje um dos maiores enigmas da História. Já foram recenseados mais de 13 mil documentos históricos, além de dez mil obras e dossiês escritos sobre ela, o que leva a supor que sua atividade militar durou, pelo menos, uns trinta anos.

No entanto, a carreira dessa adolescente durou apenas dois anos (de 1429 a 30 de maio de 1431), o que tende a dar um certo peso àquelas supostas vozes na origem de sua cruzada contra os ingleses. A historiadora Régine Pernoud observa em seu livro “Petite vie de Jeanne d'Arc” (Ed. Desclée de Brouwer, p.9) que aqueles que a condenaram:

“(...) não tiveram dúvidas de que preparavam o documento mais notável da História: o texto do processo de condenação (1431), com suas perguntas e com as respostas de Joana, fornecem um testemunho sobre sua pessoa ainda mais convincente por ter sido preparado por seus adversários, determinados a conduzi-la à fogueira. Depois, 18 anos mais tarde, quando o rei da França, Charles VII, conseguiu expulsar o inimigo de Rouen, começou um outro processo, dito de "reabilitação": foram interrogados todos aqueles que conheceram a heroína para saber se a condenação como herege justificava-se ou não. Cerca de 115 testemunhas depuseram, contaram suas lembranças, disseram o que sabiam sobre ela: magnífica fonte que nos relata em primeira mão a impressão que ela produzia.”

Armada com sua voz e com a inocência de seus 17 anos, Joana nunca duvidou de si mesma. Foi com uma determinação total que ela conseguiu se aproximar do delfim e reconhecê-lo imediatamente, mesmo estando ele dissimulado na multidão a fim de verificar se ela era, de fato, enviada por Deus como ela afirmava. Ao entrar, ela se dirigiu diretamente a ele, apesar de um cortesão, vestido com todos os aparatos reais, ter ocupado o lugar do rei no trono. Conta Joana:

“Quando o rei e aqueles que estavam com ele viram o dito sinal eu perguntei ao rei se ele estava contente, e ele me respondeu que sim. E então eu parti, e fui para uma capela bem próxima. Ouvi então dizer que após minha partida mais de trezentas pessoas viram o tal sinal. O anjo se separou de mim, numa pequena capela. Eu fiquei muito enfurecida com sua partida, e chorei. Se eu tivesse ido com ele, teria saciado minha alma.”

Nunca ela atribuiu a si mesma uma só vitória militar. Ela combateu contra os ingleses à frente de um exército de quase mendigos, concedido pelo delfim quando ela não tinha ainda 18 anos, e libertou Orleans, Patay, Auxerre, Troyes e Reims. Ela acabara de inventar a blitzkrieg, a guerra-relâmpago que limpa uma região no espaço de poucos dias (o cerco a Orleans durara sete meses, mas foram necessários apenas sete dias para suspendê-lo). Em vista das implicações políticas, geográficas, militares e históricas, percebemos muito bem que a ação dessa garota (ter 17 anos na época não significava o mesmo que hoje) continua sendo um mistério completo, se nos recusarmos a admitir que ela possa ter realmente ouvido vozes. Ela se revelou uma estrategista sem igual, conquistando a admiração e o respeito dos velhos capitães que no início se recusavam até a olhar para ela. Obedecer a uma mulher na época... Que heresia!

Porém, se admitirmos a autenticidade de suas vozes e de suas visões, o mistério então se dissipa como por milagre. Ela explica:

“Quando eu tinha cerca de 13 anos eu ouvi uma voz de Deus para me ajudar a governar. Na primeira vez, senti muito medo. E veio essa voz, durante o verão, no jardim de meu pai, por volta do meio-dia. (...) Eu ouvi a voz do lado direito, do lado da igreja. E raramente eu a ouço sem ver a claridade. Essa claridade vem do mesmo lado em que a voz é ouvida. Há geralmente uma grande claridade. (...) Eu ouvi tres vezes essa voz, compreendi que era a voz de um anjo (...). Na primeira vez, tive uma grande dúvida se seria são Miguel que vinha até mim e senti muito medo. Em seguida, eu o vi várias vezes antes de saber que era são Miguel. Eu vi São Miguel e os anjos com os olhos do meu corpo tão bem quanto eu estou vendo você. E quando eles se afastavam de mim, eu chorava e queria muito que eles tivessem me levado com eles. (...) Eu respondi à voz que eu era uma menina pobre, que não sabia nem cavalgar nem guerrear.”

Capturada (sua missão parecia ter chegado ao fim) pelos ingleses e pelos habitantes da Borgonha e jogada na prisão, Joana nunca se deixou, porém, intimidar pelo impressionante aparato judiciário montado contra ela. E as rajadas de perguntas disparadas contra ela, sobre suas vozes, por eminentes teólogos, tampouco a desarmaram. Ela chegou até a retorquir a seus inquisidores: "Eu tenho mais medo de falhar dizendo algo que desagrade às minhas vozes do que de responder aos senhores."

O juiz Jean Beaupère nos deixou assim uma maravilhosa questão relativa à natureza do arcanjo Miguel:

“- Que aparência tinha são Miguel quando ele lhe apareceu? Ele estava nu? [Alusão a séculos de debates teológicos sobre o sexo dos anjos]
- O senhor pensa que Deus não tem como vesti-lo?
- Ele tinha cabelos? [Um problema de calvície do juiz, sem dúvida...]
- Por que eles teriam sido cortados? [Respondeu Joana, imperturbável]
- Quando você vê essa voz que chega até você, há alguma luz?
- Havia muita luz, como convém. O que já não acontece tanto com senhor!”

Não só Joana d'Arc ouvia vozes, como ainda por cima ela tinha um senso de humor agudo, o que torna essa jovem mártir de 19 anos ainda mais simpática. Graças a ela, o fenômeno da voz ficou enraizado em todas as memórias. Levando em conta os efeitos que elas provocaram na França, parece difícil não levá-las a sério.


Fonte:
Livro “Relatos sobre a existência dos Anjos da Guarda” – do jornalista Pierre Jovanovic – Editora Anagrama